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Perdoa, sei que te prometi calar, não te incomodar na tua felicidade com as minhas lamúrias ridículas… mas isto anda aqui na minha cabeça, todos os dias… (e ainda não fui ao psiquiatra 😊) e preciso dizê-lo a alguém.


Sei que não entendes o que é a minha vida quando tens tudo na tua... Eu vivo todos os dias a dor permanente da tua ausência, como se tivesse um punhal espetado entre o coração e o estômago, todos os dias… e todos os dias, sempre que penso no que não tenho, em tudo o que ele tem, em tudo o que lhe dás, em todas as horas, todo o carinho, amor, calor, toda a vida que lhe dás e que nunca me poderás dar, em tudo o que eu te quero dar, é como se alguém enterrasse esse punhal um pouco mais fundo e desse voltas com ele dentro de mim. Todos os natais que vives com ele na tua família, todos os aniversários que não partilhas comigo, estes dias de férias na praia, nos locais que foram nossos, é como se alguém enterrasse esse punhal e desse voltas com ele dentro de mim… É assim todos os dias, uns mais, outros menos. Apesar disso funciono, para fora, apesar do caos que me envolve, da desordem dentro de mim, à volta de mim, vou funcionando, talvez mal mas sou funcional, é o que te digo quando digo que sobrevivo… não entendes, talvez entendesses se estivesses aqui…
És a minha maldição, a minha eterna maldição 😊 E estou esgotado, como estava há uns anos em que num fim de tarde te disse o contrário do que sentia… te disse que não queria estar contigo, quando o que queria era viver contigo a vida toda (e hoje sabes porque havia lágrimas nos meus olhos e tens a certeza do que suspeitavas, que te estava a mentir).


A vida é muito curta e a maior parte da minha já é passado. Às vezes ainda penso ser possível viver e não apenas sobreviver. Às vezes ainda sonho ser possível ter o que tu tens… mas não é. Só poderia ter o que tu tens, uma vida plena com alguém, sendo tu esse alguém... E tu já encontraste a plenitude na tua vida. És a minha maldição eterna, vinte e dois anos e a contar, desde que te vi e não te consegui deixar de ver nunca mais. Mesmo que possa existir uma outra vida estarei condenado, sempre condenado a viver sem ti, nunca poderei ser ele, o homem que amas e que queres ao teu lado. Sempre condenado a ser uma alma ímpar, sem par e sem amor.
Acreditei que o teu abraço fosse o meu abraço… acreditei que a tua alma fosse a minha alma. Acreditei que pudesses querer-me na tua vida como te quero na minha… 🤣 Acreditei que poderia mudar tudo na minha vida para poder estar na tua, eu em ti e tu em mim. 🤣 Mas esqueci o mais importante… o Amor. Não basta eu amar. Não é possível viver e amar por dois como diz a canção do Salvador. Muito menos quando o objecto desse amor ama um outro alguém com quem quer partilhar os momentos da vida, toda a vida, todos os abraços.
Apesar de saber que encontraste essa plenitude na tua vida, não consigo ficar feliz por ti, egoísmo… essa tua plenitude é o meu vazio. Mesmo sabendo que seria impossível dar-te o que ele te dá, o tanto que tens.


Uma vida sem paixão, uma vida sem amor, não é uma vida que valha a pena viver. A vida é muito curta, num sopro se vai… num instante acaba. Melhor não te ver, não te olhar, não sentir a tua indiferença e o teu desprezo.


Um beijo minha flor, única no mundo.


(...nada de novo, apenas palavras repetidas, já escritas e nunca ditas, palavras que não consigo dizer, que nunca poderei dizer, nem conseguiria.)

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