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Dizes que me queres dar um abraço... não quero que me dês um abraço, o que quero é que me abraces, da mesma forma que eu te quero abraçar. Por isso não quero esse abraço que me queres dar, em que não há reciprocidade. Eu abraçar-te-ia como sempre te abracei, como se abraça alguém que se ama, envolvendo nos meus braços a mulher mais preciosa no mundo. Abraçar-te-ia não apenas com os braços, não apenas com o corpo, mas sobretudo com a alma. Tu não, não sentes esse abraço da mesma forma. O abraço em que sentes o que eu sinto no teu não é o meu, é o dele, daquele que vive a tua vida, em quem vives a tua.
Não há reciprocidade, por isso não quero o abraço que me queres dar. Continuo apenas a querer abraçar-te, num abraço único de duas pessoas que se amam. Não sendo possível, não quero um abraço que não sentes como eu sinto. É em ti que a minha alma se encontra, em que encontra um ponto de abrigo, nesse abraço. Mas, após a serenidade logo volta a tormenta, ainda mais forte do que antes, ainda pior a cada partida, a cada despedida do teu olhar... Ainda que de ti tenha nada, que para ti seja apenas e tão só um abraço, engano-me, porque para mim é muito mais e não posso evitar sentir o que sinto quando te tenho encostada a mim, os meu braços nos teus.
Talvez não o compreendas, talvez seja incompreensível... Não sei...
Amo-te, minha flor, única no mundo.
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