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(Sabes como estou. Não é por me calar que deixo de sentir. Não é por calar que a dor, este aperto aqui dentro do peito, desaparece. Infelizmente não consigo sentir num dia uma coisa e no dia a seguir deixar de sentir. Não consigo deixar de sentir aquele abraço... mesmo sabendo que não significou nada para ti.


Sei que não o sentes e que é com o teu marido e com a vossa filha que queres viver o resto das vossas vidas, que é aí que encontraste a felicidade, é aí que encontras a tua serenidade. Mas mesmo sabendo que é a ele que abraças todos os dias, a quem te dás e ao lado de quem te deitas, não consigo deixar de sentir a tua falta, a falta de alguém que não existe agora, que existiu no meu passado, que possivelmente me terá amado e que eu continuo a amar.


Sei que não é aos 50 anos que me vais voltar a querer ao teu lado, nem aos 60 ou 70, sei que fui passado e que o passado é só isso, não é presente nem futuro. Mas tu és o meu passado e o meu presente… não tenho ilusões, um presente sem futuro.


E não quero que sejas o meu futuro, quero que o meu futuro seja de alguém que me ame, com alguém que me queira na sua vida, que queira viver os natais e aniversários comigo (e já agora, as Páscoas). Quero conseguir amar, há 20 anos que não amo alguém para além de ti. Quero sentir a minha alma serenar nos braços de alguém que não tu, sentir-me completo num abraço, como até hoje só senti no teu... quero encontrar alguém como tu encontraste, o tal amor adulto, sereno, pleno.


Mas tenho medo... de que este sentir não desapareça, medo de nunca encontrar aquilo que tu encontraste, de ficar aqui perdido com a alma partida, à espera da tua…


Amo-te, sempre, minha flor, única no mundo...)

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