Untitled
Hoje vou visitar a tua mãe, levar o que lhe tinha dito, quando lá chegar já não estarás. Basta-me a proximidade, o conforto de um lugar que um dia foi nosso, de memórias felizes do passado, de um tempo em que podia sonhar com um futuro feliz ao teu lado. De um tempo em que podia sonhar ser família contigo.
Vais embora amanhã (a dor que senti quando mo disseste há pouco... vais passar a Páscoa em família, como deve ser, no abraço do teu amor), disseste que tinhas um abraço para me dar… disseste... sempre foste de palavras, mesmo quando de mim tinhas silêncios, palavras que sentia e sinto como vãs, vazias de significado, sem sentido, sem acções… como sempre o foram quando, noutro tempo, dizias procurar o meu abraço… não procuravas, eu sabia, apenas estavas noutros braços porque era o que realmente querias. Palavras que não são para mim… serão para um outro alguém…
Dizes que foste feita para estar sozinha, no entanto, a vida diz o contrário, vais, estás com alguém, vives o amor, terás alguém ao teu lado na vida, em todos os dias que restam. E eu volto a cada dia que passa a uma casa vazia, não tenho a família com que sonhei e sonho, adormeço sozinho num leito frio, sem o calor do teu abraço, sem ti ao meu lado, à tua espera… desde sempre e para sempre, enquanto viver… depois de viver… nesta vida que não vivo, nesta vida que não quero.
Amo-te minha flor, única no mundo…
Beijo-te. Abraço-te no silêncio do meu coração…
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